Crítica Musical: show de Ed Kowalczyk, do Live, reviveu atmosfera dos anos 1990

O nome é complexo. Para muitos brasileiros, quase impossível de dizer por causa da pronúncia polonesa. Eu mesma falo “Ed Kowalcheck” porque ouvi os locutores da Kiss FM pronunciando dessa forma, quando não sabia qual opção era a certa e me via meia hora tentando falar o que me parecia impossível. No fim, acredito que a pronúncia dita pelos locutores sobre o nome desse careca bonitão deva estar certa, não…

O que mais me surpreende é que meus posts sobre shows no geral arrancam elogios absurdos dos artistas. Assumo que já começou a ficar até meio maçante só escrever coisas boas. Mas o que eu posso fazer? Escolhi gostar de artistas completos na música, que sempre me fazem babar com suas performances ao vivo. E com Ed Kowalczyk não foi diferente.

Primeiramente: as músicas compostas em conjunto com os integrantes do Live caíram do gosto do público fazendo um sucesso estrondoso nos anos 90, o que era curioso visto que os ritmos e letras eram uma antítese ao movimento grunge, bem como à presença de palco agressiva de Kurt Cobain, do Nirvana, e da performance viajada de Layne Staley, do Alice in Chains. Fugindo da resposta agressiva aos punks, o Live optou por outra forma de fazer Rock, focando não na agressividade e maluquice nos palcos, mas exclusivamente na música e nas letras muito bem escritas, obrigada – o que me atraiu muito.

Não que eu não gostasse do grunge, muito pelo contrário: é um dos estilos musicais que eu mais amo, e grande parte das bandas que escuto vieram do movimento dos anos 90. Mas é que o Live se tornou uma coisa absurda pra mim: ouvir e viajar de um jeito diferente. Pois quando ouço, deixo pra lá minha natureza mais louca e agressiva para levantar as mãos e agradecer por viver, me emocionar por estar aqui. Uma sensação quase impossível de ser descrita, mas que é sentida em todos os movimentos mais curtos através da música.

Foi um pouco decepcionante saber que o Live aderiu à pausa que muitos músicos que eu venero adotaram. Mas o que eu posso fazer, né? Por me iniciar há pouco tempo no meio musical, é surpreendente que eu afirme que consigo entender essa opção: chega um momento que é preciso parar um pouco com escolhas antigas para se reinventar, seja no trabalho, seja dentro de casa. E é com grande orgulho desse vocalista que afirmo que ele soube se reinventar com louvor: a mesma vibe que me deixa alegre e “leve” ao ouvir sua antiga banda permanece com as músicas de seu primeiro disco solo, “Alive” (nome mais que sugestivo, não…), ao mesmo tempo que você sente um cheiro de coisa nova no ar. As músicas são daquelas que dão vontade de abrir as janelas de um carro em movimento , colocar a cabeça pra fora e cantar no último volume – sentimento que, vindo da música, é sempre uma delícia.

Crédito: UOL

Unindo o novo álbum bem feito com as músicas antigas, eis que eu tenho a motivação pra levantar do sofá numa noite extremamente fria de inverno em São Paulo, em plena quinta-feira, pra encarar a vibe de um show. E não reclamo: se pudesse, só fazia isso da vida!  Com o bom e velho amigo rock and roll, é claro… E lá se vai eu mais uma vez de braços dados com minha mãe roqueira, que estava numa energia mais absurda que a minha (aliás, só tenho que agradecer a ela pela excelente iniciação musical que tive – é um exemplo!).
O ambiente do HSBC Brasil não estava assim tão diferente dos shows que eu costumo frequentar, pois o público do cara é um pouco mais velho que os meus pouco vividos 18 anos. E isso não importa nem um pouco: gosto de ver a forma como esse público sente a música, onde ela é o foco principal.

Diferentemente dos shows de muitos artistas contemporâneos que exageram em coreografias, cenários, figurinos e efeitos e esquecem que o principal deve ser a presença nos palcos, os instrumentos e a voz (alfinete em vocês, colegas que não citarei – a carapuça serve). E o show foi marcado desse jeito: nenhum cenário gritante, pouquíssimos efeitos de luz. A simplicidade de tudo reinou: era só a banda e o vocalista – o artista principal, sem precisar de mais nada. E isso foi o suficiente pra me fazer lembrar porque prefiro músicos mais “maduros” à grande porcaria que têm sido fabricada nos últimos tempos…

O show começou com meia hora de atraso – o único ponto fraco da noite (tá, o guitarrista teve um “pau” com o instrumento bem no fim do show. Deu pra notar, mas não foi tão gritante assim, então deixa pra lá…). As luzes se apagaram com a introdução de “Ave Maria”, com certeza escolhida por causa da fé do cantor – fato que arrancou algumas piadinhas do público como: “Estou no show do papa”. As piadinhas cessaram no instante que a melodia de “All Over You” ecoou pela casa, recepcionada por gritos histéricos do público e muitos pulos, que só aumentaram quando a estrela da noite invadiu o palco com um sorriso enorme no rosto. A sequência de músicas foi muito bem selecionada, intercalando músicas antigas do Live com as composições do novo disco. Me surpreendeu que tantas pessoas soubessem cantar “Grace” , “Zion” e outras músicas do novo trabalho, já que ele não foi tão divulgado no país. Coisa de quem é fã mesmo.

Em todos os momentos, Ed Kowalczyk me impressionou com sua presença de palco. Carismático, sorridente, interpretando suas músicas com gestos e movimentos cênicos, sem esquecer jamais de sua voz incrível – foi uma das melhores vozes que já tive o prazer de escutar ao vivo: afinada e potente em todos os momentos. Notava-se que muitas pessoas chegavam a abrir a boca de indignação com tamanha beleza.

Entre pausas curtas de uma música para outra, com o primeiro “set” encerrado com a incrível “I Alone”, eis que surge o ponto mais alto do show: a conhecidíssima “Pain Lies On The Riverside” foi cantada num coro mais alto e impecável, com um mar de gente pulando, cena tão gratificante para os fãs como para o próprio vocalista, que só alargava o sorriso ao observar tamanho ânimo. Duas músicas serviram pra me emocionar absurdamente: “Overcome” e “Lightning Crashes”, duas lindas baladas do Live que sempre cativaram minha atenção – e que serviu pra embalar casais românticos e fazerem outras pessoas chorarem comigo. O show ficou mais calmo, depois de apresentações de hits antigos. E foi se acalmando mais ainda com o encerramento, marcado por “Dance With You”. Ah… tão legal encerrar uma noite batendo palmas e cantando “we all wanna dance with you…”! É, tive uma noite incrível ao poder observar um artista que se sente tão confortável nos palcos com sua banda e seu público, a ponto de vestir uma blusa do Brasil usada por um fã (não disfarça, Ed: a gente viu que você deu uma cheiradinha na blusa antes de vesti-la. Mas NÃO TEM PROBLEMA… haha).

Para afagar o ego dos fãs brasileiros, o cantor teve a típica atitude que os artistas de fora têm: erguer uma bandeira do Brasil para o público, dada de presente por um fã no meio de uma música. Acho tão legal ver como eles ficam animados com os gritos histéricos com um gesto tão simples… Sério: parece que eles ficam até mais animados que a gente. É fenomenal!

Depois de uma noite histórica, pude dormir feliz com hits como “Heaven”, “The Dolphin’s Cry” e “Selling the Drama” martelando continuamente na minha cabeça. E embalando meus sonhos.

SET LIST:

Intro
1- All Over You
2- The Great Beyond
3- The Distance
4- Selling The Drama
5- Everlasting Love
6- Zion
7- The Dolphin’s Cry
8- Stand
9- Heaven
10- Grace
11- White, Discussion
12- I Alone
__________________
Intro
13- Pain Lies On The Riverside
14- Overcome
15- Lakini’s Juice
16- Lightining Crashes
__________________
17- Drive
18- Turn My Head
19- The Beauty of Grey
__________________
20- Dance With You

 

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