Crítica Musical: um relato sobre os perrengues no show de Miley Cyrus

Costumo dizer que é bom ser surpreendido. É um choque de realidade se deparar com tudo aquilo que você não espera – ou que supostamente deveria acontecer, mas não acontece. Divagações à parte, gostaria de deixar minhas impressões sobre a artista que eu viria a prestigiar numa noite fria – típica do outono na cidade de São Paulo.

Tudo me levava a crer que eu sentiria tédio, rezaria pela passagem rápida das horas, com aquele tique nervoso nas pernas. Mas eu confesso com todas as letras pra quem quiser me ouvir e condenar: eu realmente me diverti.

Uma: teve confusão. Que lugares não se tornam mais interessantes com bons barracos para presenciar? Nesse caso, eu fui uma das protagonistas da confusão, podendo contar para os meus netos que sim, finalmente, eu já me envolvi num barraco (não se enganem pela casca dura e pela personalidade forte – eu evito brigas ao máximo). Não num barraco cheio de pancadaria, mas aqueles barracos de agressão verbal, com direito a vozes exaltadas. Tudo por causa da presença ilustre de mulheres mais velhas e um pouco sem noção que levaram crianças de cerca de 6 a 8 anos para ir num show numa pista lotada, cheia de pessoas mais altas, que forçariam colo para as crianças e, por consequência, bloqueariam a visão de outras pessoas por causa das figuras em cima dos ombros alheios.

Creio que é tudo uma questão de planejamento: buscar lugares que favoreçam as crianças, como as fileiras da frente ou os camarotes e a pista vip. Mas claro, não posso culpar essas mães completamente: por causa do preço absurdo que cobram pelas entradas em lugares mais privilegiados, restam poucas opções. Nesse caso, uma única opção… Mas é preciso que tenham ciência de que em shows muitas pessoas vão lutar pra ter um lugar reservado, com direito a uma visão privilegiada. Brigar com qualquer um (até mesmo com os comerciantes que tentam vender suas mercadorias) só deixa o ambiente mais pesado e vulnerável a confusões, provocados pela falta de talento nas argumentações.

Portanto, pense duas vezes antes de sair de casa para uma “aventura”, na qual você com certeza irá se estressar e reclamar que gostaria de estar em casa assistindo “History Channel” (juro, eu realmente ouvi isso). Mas claro, como me esquecer da razão principal da confusão? Acho que foi a mulher mais chata que eu já conheci na vida, reclamando de tudo, não dando passagem pra ninguém e, ainda por cima, ocupando o maior espaço com suas crias de 12 a 15 anos: enquanto todo mundo começava a se espremer na parte de trás, ela esticava as pernas, sentada no chão, com aquela quantidade imensa de pré-adolescentes resmungonas que deviam ter 60 anos de espírito (tudo era motivo pra reclamar, nunca vi…) e ainda reclamavam quando as pessoas imploravam por mais espaço, começando a discutir com argumentos sem fundamento algum. A folga toda e a confusão delas me fizeram perder a paciência como nunca tinha acontecido comigo antes, a ponto de ficar roxa de tanto gritar.

Crédito: Terra

Depois de tudo isso, ainda tive que me virar pra socorrer minha pequena prima por ter passado mal. Porque todo castigo pra corno é pouco, é claro.
Enfim, passado o ataque de fúria, começou o show. Grande parte das crianças que se encontravam na pista permaneceram caladas, decepcionadas com a falta de músicas de Hannah Montana no repertório (papel que levou a cantora ao estrelato). Ouvi muitas delas reclamando das roupas curtas, mas o que dizer quando uma artista faz o possível pra se libertar da imagem inocente presente em sua carreira por causa dos trabalhos precoces? Ainda que tenha achado o figurino apelativo demais, não posso culpá-la por querer se desprender dessa imagem. Afinal de contas, ainda existe muito preconceito por parte do público que se recusa a escutar suas músicas e analisá-las mais a fundo.

Do meu ponto de vista, vi uma cantora com potencial em cima dos palcos, cuja performance desinibida causa impacto – o que realmente surpreendeu. A voz forte me lembrava a de uma rockstar, bem como a escolha dos covers (que contava com músicas do Poison, Nirvana, Stevie Nicks Joan Jett e The Runaways) – todos muito bem cantados.
No mais, Miley se mostra confortável pra cantar suas próprias músicas (como em The Climb, Liberty Walk, Who Owns My Heart, entre outros), mas pela vasta escolha de covers notei que ainda não é a artista que deseja ser. Sua ousadia ainda está um pouco oculta por causa da imagem presa à sombra de Hannah.

Talvez daqui a um tempo seja muito mais vista pela qualidade indiscutível de sua voz, mas por enquanto creio que vai ter que batalhar pra se desprender da imagem de criança. Nada que mais ousadia e criatividade na composição de seu trabalho não resolvam. Menos apelação nas provocações do figurino, e mais mão na massa pra se impor como artista.
A boa notícia, Miley: você realmente tem potencial. E eu dancei e cantei no seu show, e ainda achei fofo ver minha irmã se emocionar ao te ver.

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2 Comments Add yours

  1. laarishb says:

    Ownt, fofa, fofa, fofa hihi ❤

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