Crítica Musical: U2 360° – Magnificent (e o surto de fã)

Nunca vi uma coisa parecida com essa na minha vida. Nos meus 18 anos, já vi diversos shows incríveis (insira aí bandas como Pearl Jam, Kings of Leon, Linkin Park, Avenged Sevenfold, Chris Cornnel e até do próprio U2 em 2006), mas nunca de uma dimensão tão grande, com ares de espetáculo mesmo.

Antes de começar a narrar minhas aventuras no Estádio do Morumbi nos dias 9 e 10/04, deixa eu descrever a importância do U2 na minha vida: desde criança escuto essa banda. Pra falar a verdade, desde o berço mesmo, quando minha mãe colocava músicas como “Sunday Bloody Sunday” pra tocar enquanto eu dormia. Então é impossível não criar uma certa afinidade por eles, acompanhada de um carinho especial pelas músicas que sempre me emocionaram. Lembro de percorrer a cidade de carro, admirando os prédios e as luzes de São Paulo tendo “New Year’s Day” e “Pride (In The Name of Love)” como pano de fundo. Lembro inclusive dos tempos em que meu pai viajava incansavelmente a trabalho, e das minhas idas ao aeroporto com a minha mãe para buscá-lo ao som de “Stuck in a Moment” e “Beautiful Day” (que coincidentemente teve o clipe gravado em um aeroporto). Em suma: eles sempre tiveram um grau de importância evidente – talvez tenham sido a primeira banda de rock que eu escutei na vida (junto com o Pearl Jam)…

Então é impossível para mim não amá-los. Impossível não sentir uma forte nostalgia ao escutar músicas mais antigas. E é impossível não ficar voraz por um ingresso para vê-los sempre que eles se aproximam daqui.

Crédito: Terra

Quando descobri que a mais recente turnê (360°) passaria pela minha cidade, não pude deixar de conter uma grande alegria, acompanhada por uma forte preocupação: o U2 em São Paulo sempre foi motivo de histeria, bagunça e confusão na hora da venda dos ingressos – eu mesma havia passado por isso em 2006 quando fiquei um dia inteiro na fila para conseguir comprar. Com o orçamento apertado, as coisas ficariam ainda mais complicadas. Eis que todos os ingressos se esgotam sem que eu ao menos consiga chegar perto das bilheterias ou da compra pela internet. Tive que treinar minha conformidade em não ir durante um bom tempo, sem saber qual seria minha reação no dia do show. Até que algo imprevisível aconteceu: tive a oportunidade de trabalhar no show, fazendo recepção para um determinado setor, conferindo ingressos e colocando pulseiras no povo. E eu achando que nem chegaria perto do estádio acabei conseguindo entrar. E o melhor: eu ganharia pra isso.

Não satisfeita em ir sozinha, acabei carregando minha mãe junto (visto que ela também é apaixonada pelo U2). Encontrei amigos e conhecidos por lá, conheci pessoas novas e muito legais. Óbvio que nada vem de graça e eu tive que controlar a entrada da galera nas cadeiras  (era até engraçado ver aquele monte de gente entrar correndo na maior euforia e vê-los reduzindo a velocidade quando eu gritava: CALMA! FILA, POR FAVOR!). Passava as tardes de sábado e domingo trabalhando, conversando com as meninas para passar o tempo, revezando para comer e tudo o mais. Até fiz amizades com seguranças e descobri um que trabalhava com shows há mais de 20 anos (ele presenciou o Queen – invejei!). Consegui assistir ao show inteiro do Muse nos dois dias, já que as meninas que estavam comigo não faziam questão de vê-los, porque quase ninguém conhecia (e eu com aquela cara de: como assim?!). Admirei muito a voz afinada e potente de Matthew Bellamy, achando uma imensa sacanagem abaixarem o som ao extremo no sábado. Pelo menos domingo  compensou os contratempos. Ver a performance de “Resistance” aumentou minha vontade de ver um show só deles…

Quando o U2 começou a tocar no sábado (as meninas que estavam comigo  não eram fãs e fizeram a minha pra que eu conseguisse ver tudo sem interrupções), eis que a emoção tomou conta de mim mais uma vez. Aquela sensação inexplicável que se apossa e arrepia, que te faz chorar só de ouvir a primeira música (nesse caso, “Even Better Than The Real Thing”) com aquela quantidade absurda de gente pulando e cantando um coro perfeito. Nostalgia – essa é a palavra perfeita para descrever os shows que presenciei. As músicas da minha infância acompanhadas pelo espetáculo visto de um palco de 360°, com uma estrutura incrível de fazer babar (além da presença de palco perfeita dos caras) me fizeram chorar quase que o tempo todo em músicas como “Stuck in a Moment”, “Still Haven’t Found What I’m Looking For”, “Beautiful Day”, “One”, Miss Sarajevo”, “With or Without You” e por aí vai… Também adorei ver o Bono se pendurar no microfone em “Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me”, e achei digna a homenagem que eles prestaram às vítimas da tragédia de Realengo em “Moment of Surrender”. Isso, é claro, sem falar nas meninas que eram chamadas ao palco para os tradicionais selinhos…

 

Crédito: Terra

O espetáculo magnífico teve continuidade no domingo, acompanhado de chuva e de um frio ainda mais intenso (os ventos do dia anterior me fizeram tremer). Agasalhada, comecei a revezar com outras meninas (essas eram fãs deles), percebendo que a qualidade do som estava superior, a plateia estava mais agitada e o dia estava mais tranquilo (até ganhei pipoca e cachorro-quente na área em que eu trabalhava).

Fiquei muito impressionada com o mar agitado de gente que se movimentava ao som de “Where The Streets Have No Name”, com as mulheres empolgadas dançando “Misterious Ways” quase como em uma coreografia, e me espantei com a voz de tenor que o Bono Vox fez ao cantar a parte de “Miss Sarajevo” que foi originalmente interpretada pelo Pavarotti (lágrimas, mais uma vez). Me diverti com os mexicanos doidos que deliravam com o show, e fiquei feliz ao saber que minha mãe também havia conseguido assistir ao show do lugar onde ela estava. Meus amigos e conhecidos tiveram sorte também.

Crédito: Terra

Por causa do trabalho em dias de semana, acabei não conseguindo ver o show de quarta. Mas adorei saber que meus tios que acompanharam o show maravilhoso desse dia saíram igualmente satisfeitos (mesmo com o Bono rouco por causa da bagunça em São Paulo). O pessoal ainda teve um bônus com a participação de Seu Jorge, que eu muito invejei (acho ele um artista completo, dono de uma das mais belas vozes do país).

No fim, todo mundo saiu feliz e emocionado por causa de um dos maiores espetáculos musicais vistos nos últimos anos, que superou até mesmo o recorde dos Rolling Stones de melhor bilheteria de todos os tempos. Definitivamente, mais uma boa recordação para a memória.

Crédito: Terra

SET LIST:

1 – “Even better than the real thing”
2 – “I will follow”
3 – “Get on your boots”
4 – “Magnificent”
5 – “Mysterious ways”
6 – “Elevation”
7 – “Until the end of the world”
8 – “I still haven’t found what I’m looking for”
9 – “Stuck in a moment you can’t get out of” (acústico)
10 – “Beautiful day”
11 – “In a little while”
12 – “Miss Sarajevo”
13 – “City of blinding lights”
14 – “Vertigo”
15 – “I’ll go crazy if I don’t go crazy tonight”
16 – “Sunday bloody Sunday”
17 – “Scarlet”
18 – “Walk on”

Bis 1:
19 – “One”
20 – “Where the streets have no name”

Bis 2:
21 – “Hold me, thrill me, kiss me, kill me”
22 – “With or without you”
23 – “Moment of surrender”

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