Crítica Musical: Relato de uma fã assumida no show do Avenged Sevefold

Ah! A satisfação de ver seus artistas favoritos no palco… Como é gratificante poder estar lá perto, cantar todas as músicas, pular, balançar a cabeça, enfim: como é bom poder prestigiá-los!

Tive o prazer de poder ver uma das melhores bandas da atualidade, depois do esforço que foi conseguir comprar os ingressos (que se esgotaram em cerca de uma semana). Passei sufocos maiores ao estar lá, prestes a prestigiá-los. Mas toda a experiência acabou valendo cada minuto dos esforços.

Primeiramente: após a compra dos ingressos me deparei com um contratempo, pois nenhum dos meus amigos roqueiros mais próximos poderiam ir (orçamento e tudo o mais). Por sorte, me lembrei de um colega da faculdade que enfrentava o mesmo problema. Pelo menos não estaríamos sozinhos.

Depois, no dia do show, mais um problema: chegamos no Credicard Hall ás 17, onde a fila pra conseguir entrar no lugar quase dava voltas na casa. Os portões só abririam em duas horas, estava frio e chovendo. E mais um golpe de sorte nos acometeu: uma amiga do meu colega nos avistou e nos chamou pra irmos pro começo da fila onde ela estava. Daí, ficamos debaixo de um guarda-chuva, conversando pra passar o tempo. Conheci muita gente legal lá.

Crédito: Terra

Me surpreendi com a quantidade de pessoas que estava lá. O público era diversificado: metaleiros radicais, pré-adolescentes (em quantidade significativa, vestindo camisetas do Metallica, Motörhead e afins – o que me deu mais um sopro de esperança sobre os gostos  musicais do mundo contemporâneo), gente bonita, gente não tão bonita, meninos usando boné pra trás e óculos aviador (pra ficarem mais parecido com o vocalista da banda)… Enfim: de tudo.

Depois de duas horas de fila esperando pela abertura da casa (não reclamo de nada, porque teve gente que chegou lá ás 7 da manhã), eis que nossa entrada é permitida. Não me canso de dizer o quanto eu amo a energia roqueira de sair correndo do lugar onde está fazendo a maior bagunça pra poder ver o artista que se ama. Juro: adoro a baderna que fazemos, os gritos que damos e até a muvuca violenta que se forma. Dentro da casa, a ansiedade pelo início do show, marcado para ás 20h, acometeu os fãs – que gritavam a cada pequeno barulho vindo de trás das cortinas do palco.

Trinta minutos de atraso, com o Credicard disfarçando o problema apresentando suas próximas atrações no telão, o que rendeu vaias ao Restart (“Vai tomar no cu” e afins), Zeca Pagodinho (os “us” tradicionais) e até Sandy (vaias, gritos de “Devassa” e “Itaipava”, em prol da defesa provocativa de outra marca de cerveja). Em um dado momento, os fãs passaram a xingar a organização da casa pela demora (entendo: meu coração estava a mil na expectativa de poder vê-los pessoalmente). Quando as luzes da casa se apagaram, os gritos tradicionais ecoaram pela casa ao som da introdução de “Nightmare”, do último disco homônimo do Avenged Sevenfold.

Como não poderia deixar de ser: muita gente empurrando na esperança de conseguir ver a banda mais de perto, o que me grudou na grade que separava a pista comum (onde eu estava) da pista premium. No entanto, eu pouco me importava com todo aquele empurra-empurra, toda aquela confusão: a sensação de sentir os pêlos do meu braço se arrepiando com o grito do lindo M. Shadows (emendado por “Now your nightmare comes to life!”) foi indescritível.

Crédito: Terra

O coro formado pela voz de todos os fãs quase abafaram o som vindo do palco – que aliás, estava um pouco baixo. Mas o importante era que nenhum detalhe importante passava despercepido: a voz afinada e extremamente potente de Shadows, o entrosamento perfeito da banda e até a qualidade de Arin Ilejay como baterista (substituindo “The Rev”, falecido em 2009) eram de surpreender.

Logo, a vibe “pauleira” teve sua continuidade com “Critical Acclaim”, onde o refrão originalmente cantado por The Rev aparecia como uma gravação, com Shadows erguendo os braços para o alto como quem saúda o amigo e recebe o coro da plateia (que aliás, cantou todas as músicas inteiras no maior exemplo de público fiel).

Logo depois, veio “Welcome to the Family”, sempre mantendo o clima “pesado” e frenético, com muitos gritos, pulos (minhas pernas começariam a pedir uma ligeira pausa inconscientemente) e coros perfeitos.

Crédito: Terra

Um dos pontos mais altos da noite foi a incrível homenagem prestada pela banda ao baterista, com uma foto da formação com todos abraçando o integrante, e a performance emocionante de “So Far Away” (que me levou às lágrimas). O público gritava “Jimmy” – e muita gente chorou junto comigo nesse momento. Músicas mais antigas também fizeram parte do repertório, como “Bat Country”, “Beast and the Harlot”, “Unholy Confessions” e “Afterlife”, impecavelmente cantadas pelo vocalista, que era acompanhado com maestria pelo público.

“Buried Alive” e “God Hates Us” (esta última com um bate-cabeça impressionante bem diante dos meus olhos) fizeram a vez das músicas do novo CD, onde os gritos do cantor chegam a surpreender. Em um dado momento do show, M. Shadows (encantando meus olhos com os braços enormes e fechados por tatuagens expostos) agitou a parte da frente e a de trás do público a fazer um bate-cabeça em prol do título de “parte mais agitada da casa” – tudo isso ao som da guitarra violenta de Synyster Gates. Tentei entrar lá, mas quando vi a quantidade de gente naquela roda enorme (e o sangue nos olhos da galera que estava prestes a começar a baderna) acabei desistindo. Só observei a pancadaria de longe, boquiaberta…

Crédito: Terra

Depois de uma pausa, a banda retornou ao palco para “Fiction” e a linda “Save Me”, que encerraram a noite. O público implorava por “A Little Piece of Heaven” (pra mim, uma das melhores deles) com coros de “Little Piece”, mas não teve jeito. O show chegava ao fim: Gates distribuiu uma quantidade significativa de palhetas, Shadows arremessou uma das baquetas até a platéia superior (sim, aquele braço todo tem uma utilidade muito boa) e todos eles se reuniram para um último adeus, distribuindo sorrisos de satisfação ao público.

Crédito: Terra

Não consigo encontrar uma palavra de fã que descreva bem o significado que tudo isso teve pra mim… Quer dizer, foi foda! Intenso e incrível em todos os sentidos. Todo o carisma e a presença de palco deles compensam os pequenos contratempos (como a quantidade absurda de gente sendo levada pra enfermaria).
Deixou aquele famoso gosto de “quero mais” – o suficiente pra saber que o show foi mais do que bom – foi excelente!

Set List (completo e em ordem):

01-Nightmare
02-Critical Acclaim
03-Welcome to the Family
04-Beast and the Harlot
05-Buried Alive
06-So Far Away
07-Afterlife
08-God Hate Us
09-Bat Country
10-Unholy Confessions (com riff de Crossroads no moshpit)|
Bis:
11-Fiction
12-Save Me

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