Coisas que gostamos em segredo

Atire a primeira pedra quem nunca gostou de alguma coisa comprometedora para a reputação. Todo mundo, no fundo, guarda um segredinho obscuro…

Estive pensando nisso num domingo quando fiquei paralisada assistindo um certo filme, cantando todas as músicas e até chorando no final dele. E o que mais surpreende é que esse filme também me levou às lágrimas na tela do cinema há três anos atrás, data do seu lançamento.

Óbvio que eu não vou mais guardar esses segredinhos comigo. Vou confessar todas as coisas supostamente comprometedoras aqui pra poder compartilhar com todo mundo e incentivar qualquer um que esteja lendo isso a refletir sobre aquilo que gosta em segredo (e com certeza vou ser zoada pelos meus amigos depois… haha).

Eis minha confissão:

HIGH SCHOOL MUSICAL

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Crédito: Divulgação

O que me apetece é que eu tive a capacidade de acompanhar a trilogia desde o primeiro filme em 2006, quando ele foi lançado no Disney Channel. Fiquei vidrada na frente da tela da televisão, dei umas boas risadas com ele e logo depois corri pro computador pra baixar as musiquinhas. Eu tinha 13 anos na época, confesso que já bem crescidinha pra gostar desse tipo de coisa. E o pior: no canal da Disney eles faziam exibições especiais do filme, com legendas pra poder aprender a cantar as músicas, e uma versão estendida com o elenco ensinando a coreografia (juro que sei dançar “We’re All In This Together” até hoje…).

No ano seguinte, o segundo filme ganhou uma pré-estreia exclusiva para clientes Bradesco no cinema. Claro que eu assisti na telona… E sim: em pouco tempo tinha aprendido as coreografias e decorado todas as letras. Por sorte, descobri que não estava sozinha nesse mundo: descobri uma amiga da minha idade que também gostava. Óbvio que fui zoada no Ensino Médio pelas outras amigas, mas depois todas começaram a suportar e até a aprender a cantar. Tudo por causa da presença ilustre de Zac Efron…

No lançamento do terceiro e último filme, eu estava no fim do meu segundo ano. Tinha começado a pagar minha viagem de formatura pra Porto Seguro e a me preparar para o último ano no colegial. Entre toda a brincadeira despreocupada que foram os dois primeiros filmes, encarei o último como um projeto mais sério. Até quem tinha um senso crítico apurado pra esse tipo de coisa (tipo minha mãe que não aguentava mais escutar aquelas músicas dentro de casa) achou o terceiro filme, “Ano da Formatura”, bem mais bonitinho do que os outros. Isso por causa das coreografias mais bem elaboradas, o cenário teatral, e a trama que ganhou um ar mais dramático por causa da formatura dos personagens, que se vêem com medo de encarar a faculdade e a separação. Mal tinha acabado o segundo ano e eu já estava preocupada com as despedidas do terceiro. No fim do filme rola aquela cena que o Troy anuncia que vai pra uma faculdade próxima à da namorada Gabriela, o elenco ensaia a coreografia final, os amigos se abraçam em despedida e se emocionam e… Bem, resultado: eu e minhas duas amigas chorando com as cenas (mas tipo: de soluçar), falando que não queríamos nos separar, que ia dar saudade e mimimi. Que papelão…

Mas o mais absurdo de tudo isso é que, mesmo depois de um certo tempo, continuo achando High School Musical a coisa mais fofinha desse mundo. O filme que me fez chorar no domingo (como eu mencionei no início do post) foi “Ano da Formatura”, mas porque me fez reviver mentalmente todos os anos do meu Ensino Médio, as amizades que eu fiz (muitas das quais mantive, e outras que sinto uma saudade absurda), os momentos incríveis que passei… Sim, High School Musical tem um lado emocional pra mim. Ainda mais por alimentar um sonho adolescente de sair cantando e dançando despreocupadamente por aí (juro, sempre achei fantástica a ideia de cantar até pra tia da cantina, tipo: “Me vê uma coxinhaaaa a a iaaaaaa”). Isso tudo, claro, com um Zac Efron do lado (pegava fácil até hoje).

XUXA

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Crédito: Divulgação

Não chega a ser um amor grotesco como o que eu tenho declaradamente por High School Musical. Mas eu gosto, sim. A ponto de querer acordar cedo nos sábados pra ver o programa dela. Quando eu era criança, a Xuxa era minha segunda mãe. Cara, amava tanto aquela mulher que chegava a ficar irritada quando alguém começava a cantar as músicas dela junto comigo.

Eu tinha uma quantidade significativa de fitas cassetes dela em casa, além de CD’s é claro. E ainda ficava pirando na frente da televisão, dançando as coreografias com um puta figurino elaborado pra tentar ficar igual. Isso sem falar na fralda de pano improvisada na cabeça em forma de rabo de cavalo (eu não tinha cabelo – e daí?!). Claro que tive aquela fase de odiar a Xuxa e blábláblá, como todo pré-adolescente convencido tem. Mas logo depois passou.

Hoje em dia, se você quiser me ver tendo um surto com uma cena bonitinha que envolva crianças, é só colocar o vídeo da “Dança do Pinguim”. Sim, eu adoro. E se bobear ainda danço!

ZOMBIE BOY

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Crédito: Huffington Post

Raríssimas pessoas não torcem o nariz e ficam impressionadas quando digo que tenho um grande fraco por Rick Genest, vulgo Zombie Boy. Em grande parte por causa do preconceito de muitos com relação à tatuagem, outras porque, querendo ou não, o “body modification” do cara é extremo.  Tatuar o rosto é uma atitude bem corajosa, pois mesmo os mais tatuados deixam essa parte livre de desenhos. Uma por ser a parte do corpo que as pessoas mais olham, outra por ser extremamente sensível. Ou seja: pra mim, homem que tatua o rosto tem um adjetivo que descreve tudo – MACHO!

Minha atração física por Rick Genest se deve em grande parte ao meu fetiche por tatuagens. Sim, a combinação pessoa bonita e muito tatuada desperta muito minha atenção. Mesmo com os desenhos que imitam uma caveira (que lhe rendeu o apelido), Rick consegue ser bonito.  E convenhamos que o tatuador do cara fez um trabalho admirável, pois os desenhos ficaram perfeitos.

Em suma: gosto e pegava fácil. E não tô nem aí pra o que você vai pensar dessa confissão.

CREPÚSCULO

Twilight
Crédito: Divulgação

Não acho uma confissão nada comprometedora (aliás, nenhuma das que eu fiz até agora me parece tão terríveis, mas sempre vai ter alguém pra zoar né…), mas muita gente acha vergonhoso gostar de romances meio adolescentes (e eu adoro todos, acho um ótimo passatempo). Percebo que está na moda odiar “Crepúsculo”, em grande parte por influência das críticas que surgem na web (como o vídeo extremamente cômico de Felipe Neto). Além disso, a adaptação do livro paras as telas renderam um barulho grande em torno de Robert Pattinson e Taylor Lautner, os intérpretes dos personagens Edward Cullen e Jacob Black (vampiro e lobisomem, respectivamente) – o que é deprimente, porque a maioria das menininhas fazem alarde por pura tietagem.

Mas quando peguei o livro pela primeira vez, indicado por uma amiga, digamos que ele veio em um bom momento: tinha acabado de sair de uma tentativa frustrada de me relacionar com uma pessoa (que depois de muita dor de cabeça, acabei decidindo encerrar a história) e estava completamente pessimista com relação ao mundo dos relacionamentos. Assim que peguei na capa, já me atraí de cara: a imagem da mão segurando a maçã, associando a história com a ideia do fruto proibido, me pareceu bem poética. E assim que comecei a ler o livro, fui tomada por uma sensação de encantamento pelo fato de se tratar de uma história de vampiro, porque eu adoro essa parte sobrenatural que envolve sugar sangue (além de anjos, fantasmas, bruxas, lobisomens, etc).

A fórmula do amor entre um imortal e uma humana não é tão nova (L.J Smith publicou Vampire Diaries muito antes, e o clássico Drácula explora essa relação nas telas do cinema), mas mesmo assim é atraente. O que mais me atraiu no geral foi a relação de perigo: é até sensual estar com uma pessoa que com a mesma facilidade que te ama absurdamente pode te matar pela necessidade de beber do líquido que escorre das tuas veias.  É bonito perceber o esforço que o vampiro faz para não perder a amada por causa de sua natureza assassina. Além disso, a história tem um aspecto até melancólico, ressaltado ainda mais pelos lugares descritos pela autora: as florestas escuras, o frio que cerca a cidade, a chuva…

Fora que Edward é a imagem do que muitas mulheres sonham em ter por aí: bonito, sexy, perigoso, cavalheiro, inteligente… Talvez foi essa a parte que tenha tirado o pessimismo que me consumia na época: poder sonhar com o amor outra vez.
Claro que a obra em si não é o exemplo da perfeição literária, e existe muitos aspectos que poderiam ser mudados (acho desnecessária, por exemplo, a abstinência sexual e o lado inexpressivo e auto-suficiente da Bella). Consigo entender as razões de muitas pessoas detestarem a história e criticarem horrores. Mas eu, particularmente, não consigo odiar. Tenho certeza que vou gostar pelo resto da vida, apesar de tudo. O melhor de misturar essa história com a vida real é que logo depois de conhecer a história me apaixonei de novo por um cara que era a perfeita imagem do príncipe encantado (veja bem, não são todas as ex-namoradas que criticam os caras que já passaram pela sua vida…)

Enfim, foram essas alguns dos exemplos de “gostar em segredo”. Apesar de não haver problema nenhum de minha parte em confessar essas coisas.
E você, qual é o seu “dirty little secret”?

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