Crônica: Corrompidos (quando uma vida nova é brutalmente interrompida)

Tenho visto uma quantidade significativa de estudantes universitários que são abordados por ladrões, que a única coisa que roubam ao fim dos assaltos são suas vidas, seus sonhos… Um futuro corrompido através de balas de revólver friamente disparadas.

Eu realmente queria entender: de onde veio essa onda de assassinatos brutais contra esses estudantes? Estaríamos diante de uma nova onde de assassinatos em massa cujos alvos são previamente definidos com o intuito de afetar a sociedade, de chamar a atenção? Honestamente: é difícil de acreditar que pessoas desse tipo consigam dormir ao fim da noite e planejar mais crimes, como se os que cometeram anteriormente não fossem o suficiente para controlar sua sede de poder, uma ilusão no ato de tirar vidas e chocar a população.

A cada novo disparo cometido contra esses jovens, a tristeza crescia dentro de mim. Até atingir o patamar mais alto hoje de manhã com o último relato sobre uma vítima.

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Crédito: Autor Desconhecido

Carlos Eduardo de Souza Garcia tinha 24 anos e um futuro brilhante pela frente. Em seu currículo, havia a promessa da responsabilidade social: trabalhava na empresa do pai, dava aulas de inglês para os amigos e estudava Letras em uma universidade particular na zona leste de São Paulo, região onde morava – palco do ato que selou seu sonho. Foi abordado por um grupo de assaltantes na porta de casa. Ao ver a cena, o pai se desespera, grita para os assaltantes que o jovem entregará tudo o que eles quiserem. No fim, os assaltantes saem sem levar nada. O estudante se aproxima da porta tentando trancá-la quando a criatura bruta ergue o revólver contra sua cabeça e dispara o tiro. Mais uma bala no corpo de uma pessoa digna, que nada fez para despertar tamanha frieza e crueldade nessas pessoas.

O crime aconteceu na terça-feira, dia 08. As imagens só foram divulgadas na manhã de hoje (11/03). Cenas de cortar o coração.

Não tenho um pingo de noção do sofrimento que a morte desse jovem causou na família, mas garanto que a situação anda difícil e imconpreensível para todos que o conheciam (o depoimento do tio é de cortar o coração). Os pais ainda tentaram socorrê-lo, mas ele não resistiu e morreu no hospital. Sim, isso me comoveu, e eu até lutei pra não cair no choro (sem sucesso) pensando que o jovem que partiu poderia muito bem ser alguém que faz parte da minha vida: amigos, parentes ou um de meus professores. Aliás, era esse o sonho do jovem: ser professor. Essa carreira digna que eu tenho esperanças de seguir um dia. A arte de educar é fabulosa, talvez seja essa a solução para muitos problemas que enfrentamos na sociedade hoje em dia.

Carlos Eduardo poderia muito bem ser o professor dos teus amigos, filhos, parentes… Poderia ter evitado que muitas mentes se desestruturassem – coisa que muitos professores têm o dom de fazer ao conduzir uma aula com maestria. É triste ver esses sonhos sendo corrompidos, roubados. O estudante que sonha em seguir uma carreira e luta bravamente por isso carrega a esperança de construir um mundo melhor, trabalhando com dignidade.

Mas até isso está sendo brutalmente arrancado de nós, enquanto ficamos à mercê de pessoas frias, com falta de humanidade.

A pergunta que não se cala e aumenta nosso desespero é: até quando?

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